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Um Candidato Idóneo

Mark Twain

13.50

pvp 15.00 | preço web 13.50

O boato de que eu teria enterrado uma tia debaixo da minha videira é autêntico. A vinha precisava de adubo, a tia precisava de ser enterrada, e eu consagrei-a a este nobre propósito. Tornar-me-á isso indigno da Presidência? A Constituição não o refere.

Se a dimensão refractária da obra de Mark Twain é ainda eclipsada pelos seus textos mais famosos, este edificante conjunto de curtos ensaios, sátiras e discursos, escritos entre 1868 e 1884, vem repor a justiça no caso. Neles, Twain encarna, com humor inigualável, ora um candidato à presidência americana que revela sem embaraço o seu sórdido passado, ora um funcionário público demissionário do Comité de Conquiliologia do Senado, «vítima de uma intoxicação laboral». Parodiando a bisturi os trejeitos retóricos do discurso político (que, pasme-se, pouco mudaram em 150 anos), o autor confessa-se ainda um honrado vira-casacas, volta a demitir-se de cargos públicos e declama uma elegia pouco elogiosa a um político defunto. E despede-se, por fim, argumentando que a coerência é manifestamente sobrevalorizada – sobretudo se em nome da lealdade ao partido. Eis Mark Twain, o homem que dá o peito às balas, «conquanto que o canhão esteja vazio». Eis o candidato cuja visão das finanças é «amealhar tudo aquilo a que consiga deitar a mão». Eis um candidato idóneo, «um homem que tem por base a depravação total e que se propõe ser demoníaco até ao fim».

Mestre do humor impassível e da ironia fina, cronista insolente das imposturas e inanidades, inimigo público de dogmas e instituições americanas, Mark Twain (1835-1910) será sempre associado às façanhas de Tom Sawyer e Huckleberry Finn. Mas a sua prosa espirituosa, a erudição contagiada por coloquialismos, a graça desarmante e lapidar, surgem particularmente nítidas nos seus textos curtos – contos, crónicas e rábulas de toda a espécie. É também aí que se revela o homem profundamente politizado e subversivo – capaz de discorrer sobre impostos ou bicicletas, o sufrágio das mulheres ou a Guerra Franco-Prussiana, as elites letradas ou a invenção do telefone –, e o homem vivido do Mississípi, que foi aprendiz de tipógrafo, mineiro, piloto de barco a vapor e jornalista antes de se tornar um dos mais férteis e engenhosos escritores de sempre.

  • Tradução Madalena Caramona
  • Prefácio Manuel Portela
  • Notas prévias aos textos Fernando Gonçalves
  • Ilustração de capa Luís Henriques
  • 1.ª edição 2017
  • N.º pp. 152
  • ISBN 978‑972‑608‑312-2