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Mandriões no Vale Fértil

Albert Cossery

13.50

pvp 15.00 | preço web 13.50

«Que doidice é essa? Valha-nos Alá! Tu queres ir trabalhar! E Porquê? O que te desagrada nesta casa? Filho ingrato! Sustentei-te e vesti-te durante tantos anos e é esta a tua paga! Queres então cobrir-nos de vergonha!»

«Se o mundo se transformou numa coisa mal-humorada, isso deve-se sem dúvida ao facto de agora ser preciso muito dinheiro para viver. A vida é muito simples mas tudo conspira para a tornar complicada. É quando nos vemos livres da ambição do dinheiro, do orgulho ou do poder que a vida se revela formidável.» (Albert Cossery) Por que razão deverá uma pessoa trabalhar, podendo evitá-lo? É nesta interrogação oriental que se alicerça toda a obra de Cossery. Mandriões no Vale Fértil (1947), esgotado há vários anos, é o romance em que o autor dedica ao seu tema predilecto – o ódio sarcástico ao trabalho – uma maior amplitude filosófica. A mandriice, longe de ser um defeito, é cultivada como uma flor rara e preciosa pelas personagens deste livro. Numa vivenda a pedir obras, nos arredores de uma grande cidade egípcia, mora uma família singular: um ancião, os seus três filhos e um tio que ali encontrou refúgio depois de ter delapidado toda a fortuna. Convictos de que o trabalho engendra apenas a desordem e a desgraça, descobrem que manter a doce sonolência que reina em casa é, afinal, uma árdua tarefa.

Albert Cossery (1913-2008) nasceu no Cairo e, até à sua morte, viveu num quarto de hotel em Paris. Escritor egípcio de língua francesa, amigo de Albert Camus, Lawrence Durrell e Henry Miller, publicou oito títulos apenas. Um livro de oito em oito anos, uma linha por semana, eis uma média que este adepto da indolência sempre fez questão de não ultrapassar.