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Discurso Sobre a Servidão Voluntária

Etienne de la Boétie

10.80

pvp 12.00 | preço web 10.80

Quem era La Boétie e que pretendia ele? O que constitui a «eternidade» deste Discurso, a sua intensidade de cometa cruzando os séculos é o facto de esta análise não ser «de tempo nenhum» sendo como é «de todos os tempos» — desde que existe o poder do Estado. Como Maquiavel, a quem se opõe menos do que parece, La Boétie atinge os segredos políticos dos séculos vindouros (Spinoza, Locke, Rousseau) fazendo-o porém com uma maior lucidez que o leva a recusar qualquer visão ideal das relações entre o Estado e o cidadão. Além disso, o Discurso extravasa os moldes duma leitura política tradicional. O repetido fascínio que exerce provém de igualmente lançar os fundamentos dum estudo das relações entre o domínio e a servidão nas relações íntimas interpessoais. O tirano não se reduz a uma categoria política, é também uma categoria mental ou até «metafísica». Esta relação entre domínio e servidão não se trava somente na sociedade constituída, trava-se também no âmago da consciência. Deste Discurso não extraímos uma simples lição política, extraímos igualmente uma lição ética moral, como um apelo a rejeitar das nossas próprias entranhas a figura ameaçadora e cruel e adorada do tirano.
Séverine Auffret

  • Tradução Manuel João Gomes
  • Ano de edição 1997
  • N.º pp. 94
  • ISBN 972-608-013-4